LINHA DE MALANDROS NA UMBANDA

Por Nádia de Iansã



O Sagrado pelas energias dos excluídos, este é o significado dos Guias Malandros na Umbanda. Grande parte dessas entidades sofreram na verdade o preconceito racial

E passaram a viver à margem da sociedade com limitações para crescerem e se desenvolverem na vida neste plano.

Totalmente focados na felicidade, eles viveram da forma que puderam, carregando em seu estereótipo físico algo que na realidade não eram na maioria das vezes. O sorriso sarcástico no rosto era a forma de afastar as tristezas, pois lamentação não enche barriga, mas a fé no amanhã pode sim realizar diversos milagres, e era nisso que os Malandros acreditavam.


E foi por meio desse modo de enxergar as possibilidades e de saber lidar com as adversidades que esses espíritos ganharam força maior ao desencarnar, e passaram a ser respeitados e buscados como inspiração nos terreiros de Umbanda.

Não significa que o Malandro era santo, muitos realmente passaram dos limites por conta do tipo de vida que levavam. Porém, ao desencarnaram muitos deles alcançaram um grau de espiritualidade muito elevado ao compreenderem melhor a forma de enxergar a vida. Alguns, somente aprimoraram o que já sabiam, outros tornaram-se conscientes da verdadeira Luz, mas todos eles que trabalham na Linha dos Malandros se dispuseram a auxiliar aqueles que se encontram perdidos ainda em nosso plano.

Essa Linha é muito especial, pois mostra a aceitação do que é Divino para com aqueles que buscam o conhecimento, e ao mesmo tempo expressa para a sociedade o valor que tem o preconceito: nenhum sequer.


A malandragem ensinou a esses espíritos uma forma de erradicar o mau humor, e um jeitinho especial de encarar qualquer tipo de adversidade, por isso eles passaram a ser grandes professores nas Giras.

Os Malandros não são tipos de Exú, como algumas pessoas imaginam, por isso ao se falar de Exú Malandro não se refere especificamente a esta Linha.

Considerados de uma regência bem mista, os Malandros atuam na vibração da força de Ogum – pois são de estrada -, podem aparecer também na Esquerda com regência de Exú – como o famoso Zé Pilintra -, e ainda se apresentarem na cura, com uma fitinha branca em seu chapéu sendo regidos por Oxalá.

Esses Guias no Terreiro, são especialistas em curas, abrir caminhos, desmanchar magias ruins e proteção, por isso devem ser bem-tratados e levados a sério como qualquer outra entidade, pois são seres de Luz e mais elevados espiritualmente que nós.


De atitudes simples, muito fieis e justos, os Malandros não toleram mentiras e se alguém tenta de alguma forma enganá-los será facilmente desmascarado na frente de todos. Apreciadores de fumos, eles se apresentam no Terreiro vestidos elegantemente – tanto quanto gostavam durante a vida -, com suas camisas de seda ou listradas, chapéus de palha ou Panamá com detalhes em fita, alguns gostam de terno e usam sempre sapatos brancos ou bicolor.


Os movimentos que realizam que se assemelham a dança, na verdade é uma forma de limpar o ambiente de toda energia negativa presente. Seus passes e atendimento no geral são sempre alegres, realizados com um sorriso inspirador de quem conhece de perto a dor, mas que perdeu há muito tempo o medo dela.

Felicidade é o que define a Linha dos Malandros na Umbanda, alegria que dá forças de compreensão, traz energias para lutar, e sabedoria para entender que não estamos aqui para desfilar, e sim para crescermos com as dificuldades e evoluirmos durante essa fase que chamamos de vida.

Salve os Malandros!

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