OXALÁ E SEUS FILHOS

Por Nádia de Iansã



Oxalá é a criação, o começo do mundo, o princípio de tudo. O criador dos orixás, dos seres humanos, da natureza. Foi ele quem permitiu a todos os orixás escolherem seus domínios e seus filhos quando estes nascem. São muitos os mitos que falam de Oxalá, mas o mais conhecido é o que conta que Oxalá sentia muitas saudades de seu filho Xangô, e resolveu visitá-lo. Para saber

se a longa viagem lhe seria propícia, foi consultar Orunmilá, o deus adivinho, muito seu amigo.

 Este jogou seu opelê-ifá e disse-lhe que a viagem não se encontrava sob bons auspícios. E que se ele desejasse que tudo corresse bem deveria vestir-se inteiramente de branco e não sujar

suas roupas até chegar ao palácio, devendo ainda manter silêncio absoluto até o momento em que encontrasse seu filho. E assim fez Oxalá.


Exu, contudo, que adorava atormentar Oxalá, disfarçou-se de mendigo e apareceu em seu caminho, pedindo ajuda para levantar um pesado saco de carvão que se encontrava no chão. Sem poder responder nada e sendo piedoso, Oxalá levantou o saco de carvão para Exu, mas estando este saco com o fundo rasgado, abriu-se e caiu sobre Oxalá, sujando sua roupa branca. Exu riu loucamente e se foi...

Como Oxalá sempre fora muito prevenido, trazia com ele uma muda de roupa. Foi então até o rio mais próximo, tomou um banho vestiu roupas brancas limpas, seguindo seu caminho. Novamente Exu se disfarça e pede ajuda ao viajante, dessa vez para entornar um barril de óleo num tacho. Sem poder responder para explicar sua situação e tendo boa vontade em ajudar, Oxalá levanta o barril e Exu o derrama sobre suas roupas, que desta vez não podiam mais ser trocadas, pois eram as últimas roupas limpas que Oxalá trazia.

Sem poder fazer mais nada, sujo e cansado, Oxalá vai seguindo seu caminho quando vê o exército de Xangô se aproximar dele, sinal de que estava bem perto de seu destino. Este, contudo, prende Oxalá, confundindo-o com um procurado ladrão.

Como não podia falar até encontrar Xangô, Oxalá nada diz e acaba jogado numa prisão durante 7 anos. Neste meio tempo o reino de Xangô entrou em decadência: suas terras não produziam mais alimentos, os animais morreram, o povo ficou doente...

Desesperado, Xangô chama um babalaô que, ao jogar o opelê- Ifá lhe diz que todo o mal do reino advém do fato de haver injustiça justamente na terra do senhor da justiça.

 Xangô vai então verificar pessoalmente todos os presos de seu reino e descobre seu pai na prisão. Desolado, coloca o velho pai sobre suas próprias costas e o carrega para o palácio, onde se encarrega de banhá-lo e vesti-lo com sua alvas roupas, realizando a seguir uma grande festa.

A cerimônia do candomblé chamada "Águas de Oxalá" rememora este episódio.


Dia da semana: sexta-feira

Cores: branco

Símbolos:  cajado (opaxorô), pilão (eninodô), dente de elefante

Elemento: ar

Plantas: boldo, saião, inhame, malva

Animais: caramujo

Metal: estanho, prata

Comida: acaçá, inhame, arroz, cuscuz, canjica, Tudo branco, Ebô de milho branco sem sal, (canjica branca), clara de ovos, Acaçá branco, rodelas de inhame cozido com mel. bebida água

Sincretismo: Menino Jesus (Oxaguiã, Oxalá jovem 24.12) e Senhor do Bonfim (Oxalufã, Oxalá velho segundo domingo depois do dia de reis, em janeiro) 

Domínio: céu

O que faz: dá felicidade, progresso, saúde. 

Quem é: o grande pai celeste, senhor das almas bem- aventuradas. 

Características: líder, benevolente, generoso, responsável, confuso, ansioso, rígido, hipocondríaco

Quizília: cachaça, dendê, bichos escuros

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